Gorillaz, Massive Attack, The xx. Porto, junho. Já chega.
A 13.ª edição do Primavera Sound Porto tem o cartaz mais forte em anos. Quatro dias no Parque da Cidade, 55 nomes, e a sensação habitual de que isto vai correr bem.
O Primavera Sound Porto já não precisa de cartaz para vender. Mas quando sai um como este, Gorillaz, Massive Attack, The xx, Peggy Gou, fica difícil fingir indiferença.
De 11 a 14 de junho, o Parque da Cidade recebe a 13.ª edição. Quatro dias, 55 artistas, e o oceano ali ao fundo como sempre. Se nunca foste, este é provavelmente o ano.
Se já foste, sabes o que aí vem.
As cabeças de cartaz
Voltam ao Porto com material novo. Ao vivo, os Gorillaz são uma produção à parte, projeções, convidados, escala. Não é um concerto normal e toda a gente sabe disso.
Cancelaram em 2022 e ficou uma dívida por pagar. Agora chegam. Quem os viu ao vivo sabe que um concerto dos Massive Attack não é bem um concerto, é outra coisa.
14 anos. Oliver Sim disse uma vez que a atuação em Barcelona foi a melhor experiência que teve num festival. Desta vez é no Porto. Não é um detalhe menor.
Fecha o domingo. Desde que "(It Goes Like) Nanana" explodiu, os sets dela deixaram de ser para quem sabia quem ela era. Agora sabe toda a gente.
Os IDLES são caos controlado ao vivo. Os Big Thief estão no melhor período da carreira. Os KNEECAP cantam em gaélico e o público delira na mesma. Os Slowdive lançaram Souvlaki em 1993 e ainda há filas para os ver.
O cartaz foi revelado em outubro e a conversa começou logo. 55 artistas, quatro cabeças de cartaz que dificilmente aparecem juntos, e uma programação que mistura géneros sem parecer forçada, o que é mais difícil de conseguir do que parece.
O domingo tornou-se uma coisa à parte. A eletrónica cresceu tanto nos últimos anos que já não é o dia de quem ficou, é um motivo para ficar.
"Quando sai um cartaz assim, fica difícil fingir indiferença. E o Parque da Cidade em junho é uma das melhores versões do Porto que existe."
Preços, passes e tipos de entrada
Os bilhetes estão disponíveis na plataforma oficial Fever. O passe geral mantém-se nos 180 €, o mesmo que em 2025, o que já não é muito comum num festival desta escala. O VIP a 275 € inclui zonas reservadas, bar dedicado e WCs separados, que em dias quentes e com 35 mil pessoas fazem uma diferença real.
Há pagamento em prestações via Kaboodle. Clientes Revolut têm cashback de 20 €. O festival esgota antes do evento, normalmente bastante antes.
| Modalidade | Preço | O que inclui | |
|---|---|---|---|
| ✦ | Passe Geral 4 dias | 180 € | Acesso completo aos 4 dias e a todos os palcos |
| — | Passe VIP 4 dias | 275 € | Acesso completo + zonas reservadas, bar e WCs premium |
| — | Bilhete Diário | 75 € – 95 € | Acesso a um dia específico (varia consoante o dia) |
| — | Menores até 9 anos | Gratuito | Entrada livre acompanhados de adulto com bilhete válido |
"Os passes esgotam. Não é marketing, é o que acontece todos os anos. Se ainda há disponíveis quando estás a ler isto, decide."
Como chegar ao Parque da Cidade
O Parque da Cidade fica entre a Boavista e o mar. A opção mais simples é o metro, desce em Matosinhos Sul ou Parque e estás a andar. Funciona até à madrugada nos dias do festival.
Carro próprio não vale a pena. O estacionamento na zona é limitado e a saída no fim da noite é uma perda de tempo garantida. Se vens de fora do Porto, deixa o carro num parque periférico e segue de metro.
Onde ficar no Porto durante o festival
Dá para chegar ao Parque a partir de quase qualquer zona do Porto. Mas o bairro onde ficas muda a experiência, especialmente à noite, quando o festival acaba e ainda há Porto para usar. Em junho os preços sobem. Dois meses de antecedência já é tarde para as melhores opções.
O mais perto do Parque. Dá para ir a pé ou de bicicleta. Hotéis de categoria mais alta e preços que em junho disparam bastante. Reserva cedo ou muda de plano.
Do outro lado do Parque, junto à praia. Boa oferta de alojamento local, peixe fresco a dois passos e entrada no festival a pé. Uma das melhores opções custo-benefício.
20 a 30 minutos de metro. Bom para quem quer aproveitar a cidade antes e depois do festival. Maior variedade de preços, de hostels a boutique hotels.
Mais residencial, menos turístico. Alojamento local com bom preço, restaurantes de bairro, e menos de 20 minutos de metro até ao festival.
"Fica um dia antes e um dia depois. O Porto vale isso, e chegares no próprio dia com voo de manhã é uma forma garantida de começar o festival mal disposto."
Como é o festival no Parque da Cidade


Quem vai ao Primavera Sound Porto pela primeira vez costuma ficar surpreendido com o espaço. O Parque da Cidade não é um recinto fechado, é um parque urbano real, com colinas, árvores e o mar a duzentos metros. Durante quatro dias acontece um festival ali dentro.
Dá para estar sentado numa manta a ouvir um palco ao longe. Dá para circular sem empurrar ninguém. Não há aquela lógica de campo inglês onde toda a gente está encostada.
A organização não sobrelota. 35 mil pessoas num parque de 83 hectares é uma coisa. 35 mil pessoas num campo sem árvores é outra. A decisão de não espremer mais gente é uma das razões pelas quais quem vai quer voltar.
A comida dentro do recinto é outra coisa que as pessoas notam. As bifanas da Conga e o pernil da Casa Guedes estão lá. Não são food trucks genéricos, são coisas do Porto, dentro do festival.
- Quinta-feira A abertura costuma ser mais calma. Bom para chegar sem pressa, perceber o espaço e apanhar nomes do cartaz que vais ignorar e depois lamentar ter ignorado.
- Sexta-feira Começa a encher a sério. Normalmente tem um dos headliners principais. O ritmo já é de festival a toda a velocidade.
- Sábado O dia mais intenso. Mais gente, mais nomes grandes, mais conflitos de horários. Tens de escolher e vais perder coisas. Faz parte.
- Domingo Primavera Bits: eletrónica, Peggy Gou a fechar, e sets que duram até ao amanhecer. Quem fica até ao fim costuma dizer que é o melhor momento do festival.

O que o Primavera Sound significa para o Porto
A edição de 2025 gerou 57 milhões de euros de impacto económico na cidade. 110 mil visitantes, gasto médio de 408 euros por dia fora do bilhete. Quase metade vinha de fora do Porto ou do país, e ficou em média quatro noites.
Para o Porto, junho com o Primavera Sound é uma coisa diferente do resto do verão. Os hotéis enchem, os restaurantes enchem, e há uma energia na cidade que não aparece mais vezes no ano.
Treze edições, uma identidade
O festival chegou ao Porto em 2012. Na altura ainda havia quem dissesse que era a versão menor da edição de Barcelona. Treze anos depois essa conversa acabou. O Primavera Sound Porto tem identidade própria e um historial que fala por si.
"O Primavera Sound não é um festival de nostalgia. É um festival que percebeu que o mesmo ouvido que quer os The xx quer também os KNEECAP. E acertou."
O Parque da Cidade abre a 11 de junho. Em treze edições o festival tornou-se numa referência europeia sem perder o chão, continua a ser um festival feito para quem gosta de música, num parque à beira do Atlântico, numa cidade que vale mais do que o fim de semana que lá passas.
0 comments