O Porto está de volta. E desta vez sente-se diferente
Quatro anos de espera. Uma noite no Dragão. E a sensação de que algo encaixou de vez.

Há um momento, em cada época, em que percebes que é aquela equipa. Não é necessariamente o jogo mais bonito que alguma vez viste, nem o golo mais especial. É qualquer coisa mais vaga, a forma como ganham quando não estão bem, como sofrem um golo e não desmoronam.
Com o FC Porto de 2025/26, esse momento chegou cedo. No dia 2 de maio, com um golo de cabeça de Bednarek e cinquenta mil pessoas a cantarem no Dragão, o Porto foi campeão. Não foi uma surpresa, mas foi mesmo muito bom de ver.
Quatro anos é muito tempo. E desde então, nunca saiu da cabeça.
Trinta e sete anos. Nunca tinha ganho um título. Vinha do Ajax numa temporada sem troféus. Muita gente achou estranho. Nove meses depois, são esses mesmos a falar do "projeto claro" e da "identidade definida". É o futebol.
O que Farioli fez foi simplificar, dar a cada jogador uma função clara sem andar a mudar o sistema a cada três jogos. O Porto desta época foi uma equipa que sabia o que era.
"Não foi fácil. Nunca é fácil. Mas conseguimos." — Farioli, trinta e sete anos, primeiro título.
Provavelmente o melhor guarda-redes português da actualidade. Há jornadas em que o Porto ganhou graças a ele e ponto final.
Marcou o golo do título de cabeça. Os centrais que aparecem nos momentos certos têm um valor que não cabe em nenhuma estatística.
Deu a assistência no golo do título. O jogador que mais vezes resolveu quando o jogo estava a emperrar.
27 golos. Há avançados com mais nome que marcaram menos metade. O melhor do campeonato na sua posição, sem discussão.
20 golos e uma capacidade de criar espaço que nem sempre aparece nas folhas de jogo. Sem ele, o Borja não teria metade do espaço que teve.
O tipo que faz tudo o que deve ser feito e raramente aparece nas notícias. No final, os números de posse recuperada dizem porquê.
Classificação após jornada 32


O Porto está de volta. Não como candidato, como campeão. E há uma diferença enorme entre as duas coisas, principalmente quando se senta à mesa para negociar. Villas-Boas prometeu que ia mudar as coisas. Farioli fez-se campeão à primeira tentativa. Para um clube que andou quatro anos à espera, não é mau começo.
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