De Jules Koundé a Virgil van Dijk, há uma geração de futebolistas a tratar o estilo com a mesma seriedade com que tratam a tática. O Mundial 2026 só veio confirmar o que já era óbvio.
O futebol deixou de ser apenas o que se vê dentro das quatro linhas. Em 2026, com o Mundial a decorrer nos Estados Unidos, Canadá e México, ficou ainda mais claro algo que já se vinha desenhando há anos: os futebolistas tornaram-se, ao lado dos atores e dos músicos, alguns dos rostos mais influentes da moda masculina contemporânea.
Não é coincidência, é consequência direta de uma geração de jogadores que cresceu a acompanhar moda com a mesma atenção com que estuda tática, e que decidiu que a forma como se vestem fora do campo merece tanto cuidado como a forma como jogam dentro dele.
Esta lista reúne dez futebolistas que, cada um à sua maneira, estão a mudar o que se espera da moda masculina ligada ao desporto. Há quem aposte no quiet luxury discreto, quem misture streetwear premium com alfaiataria, e quem simplesmente não tenha medo de experimentar onde a maioria ainda hesita.
Como o futebol se tornou força na indústria da moda
Durante décadas, o futebolista vestia-se de fato para a gala da Bola de Ouro e de fato de treino para o resto do ano. Esse guarda-roupa binário desapareceu, o que mudou foi a combinação de três fatores que se reforçam mutuamente.
Primeiro, as marcas perceberam o óbvio: um futebolista de topo tem um alcance global que poucos atores conseguem replicar, e esse alcance atravessa gerações e continentes sem precisar de tradução. Não é por acaso que casas como Dior, Jacquemus, Messika ou Louis Vuitton têm hoje futebolistas como embaixadores formais, não apenas convidados pontuais para a Paris Fashion Week.
Segundo, as redes sociais transformaram cada saída de hotel antes de um jogo, cada chegada à concentração da seleção, num desfile informal fotografado e analisado por milhões. O chamado "tunnel fit", o visual que o jogador usa a caminho do estádio, tornou-se um género de conteúdo próprio, tão comentado como o resultado do jogo.
Terceiro, e talvez o mais importante: a geração mais nova de futebolistas não separa identidade desportiva de identidade pessoal. Cresceram a seguir contas de moda, a colecionar sneakers, a interessar-se por alfaiataria, e decidiram que não precisam de esconder isso para serem tomados a sério como atletas.

O "tunnel fit", o visual usado a caminho do estádio, tornou-se um género de conteúdo próprio, tão comentado como o resultado do jogo.
Os 10 futebolistas que estão a mudar a moda masculina

Koundé é talvez o caso mais completo desta lista. Mistura alfaiataria impecável com peças avant-garde, casacos de pelo sintético com estampados de animal print, e não hesita em usar acessórios tradicionalmente associados à moda feminina, como malas de mão. É embaixador da Jacquemus, imagem da Adidas, e rosto da campanha de verão de 2026 da joalharia francesa Messika.
Koundé recusa-se a seguir um código de vestimenta esperado para um futebolista. Já afirmou publicamente que se veste como forma de expressão pessoal, sem se preocupar com convenções do desporto. Essa liberdade, aliada à qualidade real das suas escolhas, torna-o uma referência tanto para quem gosta de moda discreta como para quem quer arriscar mais.

Bellingham optou por um caminho mais discreto do que muitos da sua geração, peças bem cortadas, paleta neutra, alfaiataria moderna sem exageros. É um dos rostos da campanha global da Adidas para o Mundial 2026, ao lado de nomes como Lamine Yamal e Timothée Chalamet, na produção "Backyard Legends".
Bellingham prova que não é preciso ostentação para ter presença de moda. O seu estilo funciona como contraponto ao excesso visual que domina parte do futebol moderno, e mostra que o quiet luxury também tem espaço dentro do balneário.

Com apenas 18 anos, Yamal já apareceu numa concentração da seleção espanhola com um casaco de tweed da Chanel e uma mala Métiers d'Art da maison, uma escolha que surpreendeu pela ousadia da idade. Aposta também em peças sintéticas de cores vibrantes e tem uma colaboração de sneakers que multiplicou a procura em 600% em 24 horas.
Yamal representa a nova geração que não espera décadas de carreira para se afirmar esteticamente. A combinação entre alta-costura e streetwear, vivida sem hesitação a uma idade em que a maioria ainda está a definir o seu estilo, faz dele uma referência imediata para o público mais jovem.
"Ele mesmo já contou que usa o que lhe agrada como forma de expressão pessoal, sem se preocupar com os códigos de vestimenta tradicionais do desporto."

Rashford reinventa o básico com precisão, camisetes brancas ajustadas, jeans pretos de corte reto, camisas de mangas longas com riscas verticais usadas abertas, e conjuntos desportivos em materiais técnicos contemporâneos. É figura central nas campanhas globais da Burberry.
Rashford mostra que sofisticação não exige excesso. A sua capacidade de tornar peças simples em looks com presença visual forte é uma masterclass em minimalismo bem executado, e a parceria de longa data com a Burberry confirma que as casas de luxo veem nele um embaixador de confiança.

Jackson representa a vertente mais despreocupada e jovem do streetwear futebolístico, peças oversized, cores vivas, sneakers como peça central do look, e uma postura que mistura confiança desportiva com casualidade urbana.
É um exemplo de como o streetwear genuíno, sem a camada de luxo que outros adotam, continua a ter espaço de relevância mesmo quando a conversa se desloca para alfaiataria e joalharia. Prova que autenticidade ainda pesa mais do que tendência.

Bellerín é provavelmente o pioneiro desta lista. Há anos que aparece nas primeiras filas das semanas de moda europeias, com escolhas que vão de alfaiataria experimental a colaborações sustentáveis, incluindo presença em campanhas que cruzam moda genderless e consciência ambiental.
Bellerín preparou o terreno para que jogadores como Koundé ou Yamal pudessem ser tão expressivos como são hoje. A sua relação genuína com a indústria da moda, não apenas como patrocinado, mas como interessado de longa data, tornou-o referência incontornável para futebolistas com curiosidade estética real.

Saka é uma das faces da colaboração entre a Palace e a seleção inglesa para o Mundial 2026, uma cápsula que junta a tradição do futebol britânico ao streetwear contemporâneo de Londres. O seu estilo pessoal segue essa mesma lógica: peças desportivas técnicas combinadas com streetwear urbano de marca britânica.
A presença de Saka nesta colaboração mostra como o streetwear deixou de ser subcultura para se tornar linguagem oficial das seleções nacionais. É um sinal de como as fronteiras entre moda de rua e identidade desportiva institucional praticamente desapareceram.

Vinícius combina a energia da cultura brasileira com streetwear premium internacional, peças de marca, cores vivas, e uma postura que não tem medo de chamar a atenção. A sua presença nas suas redes sociais amplifica cada escolha de estilo a um público gigantesco.
Vinícius representa a ponte entre o futebol latino-americano e o circuito global de moda masculina, mostrando que a influência estética não está concentrada apenas na Europa. É uma referência crescente para públicos jovens fora do eixo tradicional Londres-Paris-Milão.

Van Dijk representa a vertente mais madura e clássica desta lista, alfaiataria impecável, cortes estruturados, paleta sóbria. Foi escolhido, juntamente com o histórico Edgar Davids, para apresentar uma cápsula de sneakers inspirada na estética neerlandesa, ligando o lifestyle contemporâneo à herança do futebol do seu país.
Van Dijk mostra que a presença de moda não é exclusiva da geração mais jovem. A sua abordagem mais clássica prova que há espaço para várias gerações e várias estéticas dentro da mesma conversa, e que autoridade e bom gosto não têm prazo de validade.

Irvine ocupa um espaço diferente nesta lista, o do futebolista que constrói uma identidade visual forte através da simplicidade consistente: alfaiataria descontraída, paleta escura, atenção a detalhes como relógios e calçado de qualidade, sem nunca cair no exagero.
Irvine prova que não é preciso ser a maior estrela do futebol mundial para construir relevância de estilo. A sua presença mostra como a moda masculina ligada ao desporto está a democratizar-se, já não pertence apenas aos jogadores mais mediáticos, mas a qualquer futebolista disposto a cuidar da sua imagem com intenção.
As tendências de moda masculina que estes jogadores estão a impulsionar
Joalharia Masculina de Luxo. Colares, anéis e pulseiras deixaram de ser acessório ocasional e tornaram-se parte da identidade visual de muitos futebolistas. A campanha de Koundé para a Messika, construída inteiramente em torno do conceito de layering, várias peças de joalharia combinadas de forma pessoal, é o exemplo mais claro de como esta tendência ganhou força em 2026.

O Mundial 2026 tornou esta tendência particularmente visível, mas a verdade é que não nasceu com o torneio, apenas ganhou o seu palco mais global até agora.
O que estes dez futebolistas têm em comum não é um estilo único, mas uma atitude partilhada: a recusa em separar identidade desportiva de identidade pessoal. De Koundé a Irvine, cada um construiu uma linguagem visual própria que comunica tanto quanto o seu desempenho em campo e, em muitos casos, alcança públicos que o futebol por si só nunca chegaria a tocar.
O Mundial de 2026 tornou isto particularmente visível, com marcas de moda e desporto a investirem somas elevadas em campanhas que colocam estes jogadores ao lado de atores, músicos e ícones culturais. Mas a verdade é que esta tendência não nasceu com o torneio, apenas ganhou o seu palco mais global até agora. A moda masculina ligada ao futebol deixou de ser nicho. É hoje uma das forças mais visíveis da cultura contemporânea.
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