Marcas de Chuteiras no Mundial 2026
Nike e adidas voltam a disputar palmo a palmo a guerra das chuteiras no relvado. Ronaldo, Mbappé, Bellingham, Yamal, vê o que cada estrela está a calçar neste Mundial, e porquê.

Há uma batalha que acontece em paralelo a cada jogo do Mundial, e raramente está nas bancadas. É a guerra silenciosa entre marcas de equipamento desportivo, travada literalmente aos pés dos melhores jogadores do mundo. Em 2026, com o torneio a decorrer pela primeira vez entre Estados Unidos, México e Canadá, essa guerra está mais equilibrada do que em qualquer outra edição recente.
Nike e adidas continuam à frente, mas a distância entre as duas reduziu-se a pouco mais de dois pontos percentuais. A PUMA consolidou-se como uma sólida terceira força, e há marcas mais pequenas, Skechers, Mizuno, New Balance, a conquistar espaço que até há poucos anos parecia impossível de disputar aos gigantes.
Este guia explica quem veste o quê, porquê, e o que esses números dizem sobre o negócio bilionário que está por trás de cada chuteira em campo.
Quais são as marcas mais usadas pelos jogadores no Mundial 2026?
Segundo dados compilados pela Fútbol Emotion, a Nike lidera com 42,6% dos jogadores em campo a calçar as suas chuteiras, seguida de muito perto pela adidas, com 40,3%. A diferença entre as duas, pouco mais de dois pontos percentuais, confirma que esta continua a ser, acima de tudo, uma disputa a dois.
A PUMA fica num distante terceiro lugar, com 10,2%, mas mantém-se firme como a clara "terceira força" do futebol mundial. As marcas desafiantes, Mizuno, Skechers e New Balance, dividem entre si o que sobra, num total combinado de pouco mais de 5%, mas a sua presença é mais relevante do que esse número sugere, sobretudo em termos de visibilidade mediática.
Nike, adidas e PUMA dominam o Mundial 2026
Nike
A Nike lidera ligeiramente a corrida das chuteiras, mas no terreno dos patrocínios de seleções fica em segundo lugar, vestindo 12 das 48 equipas qualificadas, incluindo Brasil, França, Inglaterra, Holanda e Estados Unidos. A grande aposta da marca para 2026 foi a "Breakout Pack", uma coleção que equipa estrelas como Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Alphonso Davies.
A força da Nike continua a estar na profundidade do roster: a marca não depende de uma única superestrela para gerar visibilidade, tem múltiplas, espalhadas por seleções diferentes, o que multiplica a exposição em todas as fases do torneio.
Adidas
A adidas é, ao mesmo tempo, patrocinadora oficial do Mundial 2026, o que significa que é a única marca de equipamento desportivo autorizada a referenciar diretamente o torneio na sua comunicação e marketing. É também quem mais seleções veste: 14 das 48 equipas, entre as quais Argentina, Alemanha, Espanha e México.
Em termos de chuteiras, a aposta da marca centrou-se na rivalidade entre o Predator, ligado ao controlo e à precisão, e o F50, associado à velocidade. A campanha de lançamento da época colocou Jude Bellingham (Predator, "controlo") frente a Lamine Yamal (F50, "caos"), uma das ações de marketing mais visíveis do ciclo pré-Mundial.
PUMA
A PUMA construiu para 2026 um portefólio particularmente inteligente: 11 seleções que combinam Europa, África e América Latina, Portugal, Marrocos, Senegal, Suíça, Costa do Marfim, Gana, Egito, entre outras, criando alcance global sem depender de uma só superestrela ou de gastar fortunas a patrocinar gigantes como Brasil, Argentina, França ou Inglaterra.
O modelo Future continua a ser o mais usado entre os atletas da marca (56,6%), seguido do Ultra, mais orientado para velocidade (33,4%), e do King, de inspiração mais clássica. Christian Pulisic, dos Estados Unidos, é um dos rostos da campanha "Showtime", com um par de Ultra 6 desenhado em colaboração com a marca de streetwear KidSuper.
Quais são as chuteiras mais utilizadas no Mundial 2026?
Dentro de cada marca, há sempre um modelo que se destaca claramente dos outros. E em 2026 essa tendência está mais vincada do que nunca: os modelos focados em velocidade dominam de forma esmagadora as preferências dos jogadores profissionais.
Nike Mercurial
O Mercurial é, de longe, o modelo mais usado entre os atletas Nike, representando 61% da marca. Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Alphonso Davies e Marcus Rashford calçam a versão Superfly 11, enquanto Vinícius Júnior optou pela Mercurial Vapor 17, uma das chuteiras mais leves do torneio, com apenas 150 gramas.
Adidas F50
O F50 responde por 54,2% das chuteiras adidas em campo, com a versão HYPERFAST Laceless a equipar Lamine Yamal e Son Heung-min. Lionel Messi tem direito a um modelo de homenagem especial chamado "El Último Tango", inspirado no F50.6 TUNiT que usou no Mundial de 2006, decorado com as cores da Argentina.
Adidas Predator
O Predator continua a ser a escolha dos jogadores mais associados a controlo de bola e passe preciso, Jude Bellingham, Pedri e Trent Alexander-Arnold são os nomes mais visíveis a calçar o Predator 26 FT, com a tecnologia HALOCAGE+ TPU desenhada para maximizar a sensibilidade no toque na bola.
PUMA Ultra
A linha Ultra é a segunda mais popular dentro do portefólio PUMA, representando 33,4% dos atletas da marca, com destaque para a versão Ultra 6 calçada por Christian Pulisic, numa colaboração especial com a KidSuper para a estreia dos Estados Unidos como anfitriões do torneio.
Outros modelos populares
Vale a pena destacar o Nike Tiempo Maestro, usado por jovens promessas como Jamal Musiala e Estêvão, mais orientado para conforto e toque do que para velocidade pura; o Phantom 6 Low, escolhido por Erling Haaland; e a Copa Pure 4 da adidas, usada por Declan Rice, um modelo de pele que privilegia sensação natural ao toque.
Que jogadores usam cada marca de chuteiras?
| Jogador | Seleção | Marca | Modelo |
|---|---|---|---|
| Cristiano Ronaldo | Portugal | Nike | Mercurial Superfly 11 |
| Kylian Mbappé | França | Nike | Mercurial Superfly 11 |
| Vinícius Júnior | Brasil | Nike | Mercurial Vapor 17 |
| Erling Haaland | Noruega | Nike | Phantom 6 Low |
| Jude Bellingham | Inglaterra | adidas | Predator 26 FT |
| Lamine Yamal | Espanha | adidas | F50 HYPERFAST Laceless |
| Lionel Messi | Argentina | adidas | F50 "El Último Tango" |
| Ousmane Dembélé | França | adidas | F50 HYPERFAST |
| Christian Pulisic | Estados Unidos | PUMA | Ultra 6 x KidSuper |
| Bukayo Saka | Inglaterra | New Balance | Furon v9 x Stone Island |
| Harry Kane | Inglaterra | Skechers | SKX_2 |
Porque é que os melhores jogadores escolhem estas marcas?
Cada modelo é desenhado para um tipo de jogo específico. O Mercurial prioriza leveza extrema (150g na versão de Vinícius), o Predator foca-se em sensibilidade ao toque, e o F50 em explosão e mudança rápida de direção. Não é escolha estética, é ferramenta de trabalho.
Os contratos de patrocínio dos melhores jogadores valem dezenas de milhões de euros por ano. O acordo de Mbappé com a Nike, por exemplo, ultrapassa os 25 milhões de libras anuais, mais do que o salário de boa parte dos jogadores da Premier League.
Cada jogador tem preferências muito pessoais de ajuste, peso e sensação ao toque. Há jogadores que usam a mesma família de chuteiras durante toda a carreira porque mudar de marca implica adaptar todo o seu jogo de pés a uma sensação diferente.
As marcas testam exaustivamente os seus modelos com os próprios atletas patrocinados antes de cada lançamento. O feedback de jogadores como Bellingham ou Yamal molda literalmente o desenvolvimento técnico das próximas gerações de chuteiras.
"Mais do que uma escolha de equipamento, a chuteira de um jogador é uma extensão da sua identidade em campo, controlo ou caos, velocidade ou precisão."
Marcas emergentes que estão a ganhar espaço no futebol
Apesar de representarem, em conjunto, pouco mais de 5% das chuteiras no relvado, estas três marcas têm vindo a conquistar visibilidade e jogadores de peso de forma muito mais agressiva do que há uma década.
Detém 1,7% do mercado, mas conseguiu um trunfo de peso: Harry Kane, capitão de Inglaterra, calça a SKX_2 da coleção "Sunset". Para uma marca historicamente associada a calçado casual, é um sinal claro de ambição no futebol de elite.
Com 2,4% de quota, a Mizuno mantém-se fiel à sua tradição japonesa de qualidade artesanal, lançando para o Mundial 2026 a coleção "Prism White", apostando em jogadores que valorizam construção tradicional acima de tecnologia disruptiva.
A marca de Boston recusa deliberadamente o "marketing de emboscada" usado por outras marcas em grandes eventos, preferindo investir em parcerias autênticas. Bukayo Saka, de Inglaterra, é o rosto da sua colaboração Furon v9 com a Stone Island.
Nike ou adidas: qual marca domina realmente o Mundial 2026?
A resposta depende de como se mede "domínio". Em número de jogadores a calçar as suas chuteiras, a Nike vence por uma margem mínima de 42,6% contra 40,3%. Em número de seleções vestidas oficialmente (uniformes e equipamento de equipa, distinto das chuteiras individuais), a adidas lidera, com 14 seleções contra as 12 da Nike.
A adidas tem ainda uma vantagem estrutural única: é a patrocinadora oficial do torneio, o que lhe garante direitos de comunicação e visibilidade que nenhuma outra marca de equipamento pode replicar, independentemente de quantos jogadores vistam Nike em campo.
Em termos de estrelas principais, a Nike tem Cristiano Ronaldo, Mbappé, Vinícius Júnior e Haaland, quatro dos nomes mais mediáticos do torneio. A adidas responde com Messi, Bellingham e Yamal, uma combinação entre a lenda em fim de carreira e as duas maiores promessas da nova geração. É, na prática, um empate técnico travado ao nível dos maiores ídolos do futebol mundial.

Perguntas Frequentes
O Mundial 2026 confirma uma tendência que já se vinha desenhando há vários anos: a guerra das chuteiras nunca esteve tão equilibrada entre Nike e adidas, com a PUMA a consolidar-se como uma sólida terceira força e marcas mais pequenas a conquistar espaço de forma cada vez mais visível.
Mais do que uma simples questão de marketing, a escolha de chuteiras revela algo sobre a identidade de cada jogador em campo, velocidade ou controlo, tradição ou disrupção. E à medida que o torneio avança e os grandes momentos se acumulam, é provável que vejamos ainda mais histórias a nascer aos pés dos protagonistas deste Mundial.
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